"Sou o que sou, e não o que a sociedade espera de mim. Posso ser chamado de louco por isso, mas somente os loucos são realmente felizes dentro da sua sabedoria."

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Renascimento de mim

Serei, pois, como a fênix,

Que já cansada do peso desta vida

Agoniza, no meio de sua pira,

E queima, num show belíssimo,

Enquanto o aroma da mirra inunda o ar,

Juntamente com o último grito

Da ave decadente.


terça-feira, 2 de abril de 2013

As palavras...

Estou sem palavras!
Preciso de novas!
Preciso reencontrar algumas antigas...
Quero mais palavras do que posso usar.
Várias palavras vêm e vão, mas nenhuma fica de vez.
Não consigo segurá-las!
Elas parecem ter vida própria.
Chego a vê-las flutuando à minha volta...
Dançando... intocáveis.

Delas, não consigo ver qual está mais próxima de mim, e nem qual é a mais distante.

Até que consigo ler uma: SONHO.
Seguindo-a, vem esta: FELICIDADE.
Elas flutuam uma atrás da outra, à frente de muitas outras, mas ainda fora do meu alcance.

Uma outra vem perigosamente perto de mim: RESIGNAÇÃO.
Com essa tento tomar muito cuidado.

Uma delas vem direto até mim, repentinamente: RISO.
Seguindo esta, assim como a outra, vem a FELICIDADE.
O RISO, trazendo consigo a FELICIDADE, fica cada vez mais próximo. Consigo palpá-lo. Quando ele se vai, vem o SORRISO para ancorar um pouco mais a FELICIDADE.

Na multidão de palavras, uma pequena parece encolher-se, ficando ainda menor do que já é: .
E isso também acontece com o AMOR.
Mesmo juntas elas parecem não ter muita força.

Mas aí surge uma outra: AMIZADE.
Essa faz com que as duas outras se renovem, elas parecem respirar fundo e se reerguer.

A CONFUSÃO está toda espalhada e a INCERTEZA não consegue parar de pé. Apesar disso, ainda estão lá.

O CHORO parece estar amarrado a outras palavras, que o carregam com certa dificuldade, como um peso. FELICIDADE e TRISTEZA são algumas delas. Mas há também o ENTENDIMENTO...

O MEDO vem e vai, como se estivesse brincando num balanço fantasmagórico.
Já a CORAGEM se posta mais firme a seu lado.

Outra vez olho para o SONHO. Ele parece estar mais próximo agora. Só um pouquinho mais.

Muitas outras palavras dançam no quarto. Algumas nem são vistas, mas são sentidas.

Depois de uma longa piscada elas somem da vista.
Mas não confunda VISTA com VIDA.

terça-feira, 26 de março de 2013

Num dia qualquer...

E papo vai, papo vem, de repente o seu nome surge. Vindo do nada, assim mesmo. Meu olhar meio que perdeu o foco. E foi aí.

A porta da cafeteria se abriu. Mas não era qualquer pessoa. Era você. E com um sorriso tão lindo quanto eu podia me lembrar.

Você entrou e olhou à volta. Alguém deve ter acenado para você porque você acenou de volta. A verdade é que eu nem vi nada além de você.

Você foi caminhando e olhando em volta, talvez procurando uma mesa vazia ou alguém que esperava por você. A conversa na minha mesa já nem era mais ouvida. Meus olhos não se desprendiam de você.

Você se virou para onde eu estava. Nesse momento, (impressão minha?) seu sorriso alargou-se. Você já dava o seu melhor sorriso, com olhos azuis a sorrir junto, vindo em minha direção agora. O burburinho da cafeteria estava tão distante... e você também parecia estar.

Com você a meio caminho de onde eu estava eu me levantei. Meu amigo me olhou com cara de "que foi, tá louco?" mas eu nem liguei.

Enfim, (depois do que me pareceu uma vida inteira) você estava na minha frente. Me abraçou, te abracei de volta. Nos apertamos um contra o outro, olhamos nos olhos um do outro, com olhos sorridentes, e chegamos mais perto.

E aí você parou. E disse aquelas duas palavras, aquelas das quais eu nunca vou me esquecer, das quais vou sempre me arrepender.

"Não posso."

Nosso abraço se afrouxou. Seus pés te levaram todo o caminho de volta para a porta, e você se foi. Mais uma vez. E mais uma vez nem ao menos nos despedimos.

quarta-feira, 20 de março de 2013

Carta a um tal de E...

Lembro-me daquela noite como se fosse ontem.

Me lembro dos seus braços me envolvendo, me erguendo e me levando. Lembro dos seus olhos claros, parecia quem tinham luz própria, uma luz azul que emanava e me iluminava por inteiro. Seu hálito, próximo a mim, me indicava que seus lábios estavam muito perto dos meus. Lembro também de certas palavras sussurradas no meu ouvido... e do arrepio que as seguiu.

Mas me lembro também (e disso eu gostaria muito de me esquecer) das duas palavras que eu mais usei naquela noite:

"Não posso."

Sua frustração foi aparente. Desculpa.

Naquela noite, mesmo eu querendo, parecia tão arreado.

Senti a amargura do arrependimento. Ah! Como eu quis que aquela noite voltasse!

Logo depois, mais duas palavras... como dizer? Me balançaram muito mais do que arrependimento anterior:

"Estou namorando."

Uau.

Acho até que meu desapontamento foi óbvio, não consegui escondê-lo. Mas, se você havia ficado feliz com aquilo, acho que tudo bem.

Meus olhos vertiam rios quando ninguém estava olhando. Sua voz, seus olhos, seu hálito permaneciam na minha cabeça, marcas queimadas a ferro e fogo.

Aquela noite não volta. Mas eu ainda tenho um fio de esperança. Bem fino, para ser sincero, mas tenho. Esperança de que um dia nos veremos de novo. E faremos certo o que naquela noite parecia tão errado.

Com amor.

Rafael Carvalho.

segunda-feira, 11 de março de 2013

Da janela

Ele se dirigiu para a janela e, afastando as cortinas, olhou para fora.


O que viu lá não foi exatamente o que esperava.

As meninas que estavam de passagem tinham asas coloridas e brilhantes, que se moviam gloriosas. Já outras, possuíam narizes de gancho verruguento.

Um homem que passava parecia ter palavras pintadas pelo rosto. Olhando melhor, ele viu que eram palavras mesmo, e que todos riam-se ao passar por esse homem. E ele gostava! E era aí que as palavras pareciam mudar-se em outras mais engraçadas que as primeiras.

Olhou então para cima, rindo-se do tal homem, e prestou atenção à forma azul de uma extensão indescritível. Nada além de um telhado que cobria o mundo.

Voltou, então, os olhos para dentro do próprio quarto. Algo chamou sua atenção ao se mover dentro do travesseiro. Cutucando-o, viu sair dele nada menos que um beijo. Aliás, não só viu, como sentiu-o nos lábios. E não era qualquer beijo, mas aquele com que sempre sonhara...

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Preciso...



Preciso
Sair
E beber,
E dançar,
E talvez
Nem voltar.

Nem voltar
Como eu
Mesmo,
Ou talvez
Nem voltar
Mesmo.

O dia
É noite
E esta
É eterna
Até que
Acabe.

A lua,
Deusa,
Brilha alta.
Alta como
A música,
E eu.

Alto...
Álcool...
Onde estou?
“Te conheço
De algum
Lugar...”

Meus pés
Se movem,
Pessoas passam,
A música alta
Como a lua,
Como eu.

Eu que
Te conheço,
Mas não
Me conheço,
Estou aqui
Para esquecer.

Deixar
Pra trás,
Rir, sorrir,
Me divertir,
E talvez
Nem voltar

Nem voltar
A ser
Eu mesmo,
Ou só ser
Eu mesmo,
Sempre.

Ou não
Voltar só
Por hoje
(ponha a vírgula
Onde e se
Quiser).

domingo, 27 de janeiro de 2013

À minha inspiração...

A todo lugar que vou fico a procurar-te. Olho, e fico feliz ao encontrar-te no lugar de sempre. Quando não estás lá, parece que falta-me algo. Quando lá estás, fico imaginando que estás a me observar enquanto admiro-te. Posso estar completamente equivocado, mas gosto de pensar que tu estás a contemplar-me também.

Observo-te sempre que posso. Mesmo que não estejas a me ver, estou dirigindo-te o olhar.

Que sorriso gracioso tens! Fico perplexo, quase paralisado pelo êxtase quando olho para ti e vejo-te a sorrir! Tens um sorriso cheio de luz.

Mesmo quando pareces estar envergonhada, escondendo-se de olhares alheios (inclusive o meu) consegues ser deslumbrante!

Por vezes tu apareces cheia de ti. Presunçosa, sem medo de mostrar-te e ser invejada por toda a tua beleza. És mais linda do que qualquer rainha jamais foi, e tão simples quanto qualquer dama. És, porém, mais que uma rainha, és uma deusa. Afrodite talvez tivesse inveja, pois tu és, para mim, a mais bela de todas.

Vista-se para mim com seu manto escuro, o mais belo e cheio de brilhantes! Sorria seu sorriso de brilho perolado! Mostra-te bela, a mais bela de todas!

És para mim uma inspiração.

Diana, senhora das caçadas (se é que tenho permissão para usar este título antigo)... espero poder ter-te sempre por perto, para que possa continuar a contemplar-te e a maravilhar-me com tua luz. Quisera eu poder ir até onde estás agora e abraçar-te inteira, ficar bem perto de ti... Mas não posso, e por isso fico feliz só em observar-te de longe...

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Não era pra ser...

Não consigo mais escrever. Tento escrever sobre qualquer coisa e não sai mais nada. Pode ser sobre o tema que eu mais goste, não consigo.

Só consigo escrever sobre uma coisa. Não tentei anotar nada ainda, talvez com medo de me tornar muito meloso e piegas. Talvez, também, com medo de ser repetitivo e chato. Mesmo este texto, não era para estar sendo escrito. Mas é verdade, só consigo me ver escrevendo sobre isso. Todas as vezes em que deixo minha mente vagando, me pego pensando em você. Não que isso seja uma coisa ruim, é claro que não é, eu gosto disso. Mas... acho que estou e... enfim, não importa agora, esse não é o foco desse texto. [Talvez uma outra hora eu discorra sobre isso].

Eu só queria... na verdade, eu preciso... tentar evitar... mas não posso, é assim que sou. Sou um romântico, piegas, louco e desvairado. Sim, choro com baladas, amo sem vergonha e sem juízo... (como na música Românticos - Vander Lee)

Às vezes sou inconsequente... Tentei deixar de lado essa minha natureza, mas não é tão fácil quanto pode parecer. Acabo me entregando muito facilmente, me apegando muito facilmente. Pois é, sou sim um romântico.

SOU UM ROMÂNTICO!! SIM, EU AINDA SOU!!!

E não vou deixar de ser.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Escrevi esse texto há um tempo, antes de começar mais uma fase na minha vida. Não sei porque não cheguei a postar na época, mas aí vai.

E aqui estou eu, tentando, tentando, e tentando. Não sou de desistir não. Mas há horas... que de tanto tentar, cansamos de "dar murro em ponta de faca".

Abri meus olhos. Vi que o mundo lá fora pode ser muito mais verde e ensolarado. Vi que as crianças lá fora riem mais, se divertem mais. E os adultos também!

E vi que eu cansei de tentar.

Já não sei mais o que aconteceu aqui dentro... As crianças que costumavam brincar cresceram ranzinzas e se tornaram adultos sérios e que só se importam com eles mesmos. O mundo já não é mais tão verde. E o sol... bom, o sol continua a brilhar com a centelha de esperança de que o dia não chegou. Sabíamos que ele ia chegar, mas resolvemos (como todas as outras pessoas) pensar no que fazer somente quando ele chegasse. Com isso só postergamos o inevitável e nos sentimos mais vulneráveis e (talvez) despreparados para enfrentar o que esse dia traz. Mas o dia enfim chegou. Não há como evitar, não há como negar.

Tudo tem um começo, um meio, e um fim. Engana-se quem pensa que algo pode começar e não terminar nunca.

(Mas o mais importante de tudo é que as coisas só terminam quando não temos mais nada a aprender com elas. "Tempo perdido" nunca é perdido.)

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Aquele menino

Outro dia eu me perguntava onde está aquele menino que vivia aqui. Eu não sabia responder. Procurei até, mas não o achei. Sei lá, achei que ele já teria crescido, já se transformado em um adulto e coisa e tal. Mas não. Acho que ele estava aqui, onde sempre esteve... só que com medo... de se mostrar. Encolhido em um dos cantos escuros desse lugar.

Hoje ouvi a voz dele de novo, depois de algum tempo. E até um sorrisinho sapeca! rs

Estou, ou melhor, ele está de volta! :)